Em busca do equilíbrio...entre culturas, filosofias e tradições, tão vincadamente distintas... é necessário, todo o cuidado, atenção e sensatez, para que "o conhecimento" não nos transporte, para tempos passados e sobretudo que a nossa mente não nos faça querer viver no passado, que como a palavra indica... "passou", não volta mais, é agora que vivemos e como tal, teremos que olhar para o Mundo e para Vida de uma forma lúcida e equilibrada. Peço aos praticantes de Budo Japonês, que por ventura, leiam estas breves notas, que as tomem apenas como ponto de referência e não como "doutrina" de vida... Obrigado. Sensei Gomes da Costa
~.............Mestres do BudoSai 2007 Bisham Londres
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Sensei Alex DaCosta Agenda 2008 .
Janeiro...........26~27.... Quarteira Algarve........Portugal Junho ..............21~22.... Gdansk....................Polónia Junho ................28~29.... Hull Yorkshire.......Inglaterra
Um dia, um samurai, grande Mestre de sabre quis obter o verdadeiro espírito da esgrima. Era durante a época Tokugawa. À meia noite, foi a um santuário de Kamakura, subiu os numerosos degraus que levam até lá e rendeu homenagem ao Deus local, Hachinam. Hachinam, no Japão, é um grande Bodhisattva que se tornou o protector do Budo. O Samurai rendeu-lhe Homenagem. Ao descer os degraus, á meia noite, ele sentiu, debaixo de uma grande árvore, a presença de um monstro em frente dele. Por intuição, ele desembainhou o seu sabre e num instante matou o monstro. O sangue jorrou e derramou-se pelo chão. Ele matou-o inconscientemente. O Bodhisattva Hachinam não lhe deu o segredo do Budo. Mas graças a esta experiência, no caminho de regresso, ele compreendeu-o. A intuição e a acção devem surgir simultâneamente. Não pode haver pensamento na prática do Budo. Não há um só segundo para pensar. Quando agimos, a intensão e a acção devem ser simultâneos. Se dissermos : " O monstro está ali, como matá-lo? ", se hesitamos, só o cérebro frontal entra em acção. Ora, o cérebro Thalamus (cérebro profundo) e acção devem coincidir, no mesmo instante, idênticos. Assim como o reflexo da Lua sobre um curso de àgua, não fica imóvel, se bem que a Lua não se mexa. É a consciência Hishiryo. Quando dizemos durante o zazen " não mexer, não mexer ", isso significa de facto não ficar sobre o mesmo pensamento, deixar passar os pensamentos. Demorar em perfeita estabilidade significa na realidade não demorar. Não mexer, significa na realidade mexer, não dormir. É como uma broca que roda : podemos considerá-la imóvel, mas ela está em plena acção. Só podemos ver o seu movimento quando ela inicia o movimento ou quando ela se aproxima do fim do movimento. Assim a tranquilidade no movimento, será ela o segredo do Iaido ? (Via do sabre). É tambem o segredo do Budo e do Zen, que têem o mesmo gosto. Este espírito é o mesmo em todas as Artes de Budo, quaisquer que sejam as suas diferenças tácticas e técnicas. Assim o Judo ( JU = suavidade ; DO = Via ) é a Via da suplesse (yawara). O Mestre Kano foi o fundador, depois da revolução Meiji. Os Samurai, esses guerreiros ferrenhos, aprendiam o yawara, a técnica da suavidade. No Japão, os samurai deviam aprender as artes de guerra, assim como aquelas da vida civil. Eles tinham que estudar o Budismo, Lao Tseu, Confucius e ao mesmo tempo aprendiam o Judo, equitação, tiro ao arco, etc...Kodo Sawaki,
nas suas conferências dizia que o seu segredo era Kyu Shin Ryu, " a Arte de dirigir o Espírito ".
Dirigir o Espírito
Como dirigir o nosso espírito? Isso vem do Zen e não da técnica das Artes de Budo. Estas em conjunto com o Zen formam o Budo Japonês. Como educar o nosso espírito e aprender a dirigi-lo? Kodo Sawaki falou do Kyu Shin Ryu, o segredo do yawara, transmitido por esta escola, num texto tradicional do qual um capítulo trata do espírito tranquilo.Eis uma passagem : " A verdadeira técnica do corpo, o wasa desta escola de yawara, deve ser a substância do espírito ". A substância é o espírito. Não se deve olhar para o corpo do adversário, mas é necessário dirigir o nosso próprio espírito. Não há inimigo. O espírito é sem forma, mas pode por vezes ter uma : isso é idêntico ao zazen ! Por vezes podemos "agarrar" o nosso espírito, mas por vezes é impossível. Quando a actividade do espirito "enche" o cosmos, que é o espaço compreendido entre o céu e a terra, e quando sabemos aproveitar a oportunidade que se apresenta, então podemos dispor de todos os acontecimentos em pleno "decorrer ", evitar todos os acidentes e empreender dez mil coisas "numa só "... Sem comentário. É um texto díficil de compreender. Mas aqueles que practicaram profundamente o Judo compreendem este espírito. No Genjo Koan outro texto tradicional de que se servia Kodo Sawaki, diz-se : " Quando um homem se afasta da margem num barco, ele imagina que a margem está em movimento. Mas se ele baixar o seu olhar, para junto da sua embarcação, aperceber-se-á de que é ele que está em movimento ". Com efeito, se olharmos com atenção, intìmamente, para o interior do nosso barco, compreendemos que é o barco que se movimenta e assim ultrapassamos a ilusão dos sentidos. Então, quando as pessoas consideram todos os fenómenos de todas as existências através das suas ilusões e dos seus erros, podem enganar-se e pensar que a sua natureza original está dependente e móvel. Mas se eles se tornarem íntimos com o seu verdadeiro espírito, e se regressarem à sua natureza original, então comprenderão que todos os fenómenos, todas as existências se encontram dentro deles próprios, e que isto é igualmente verdade para todos os seres. A natureza original da existência não pode ser realmente apreendida pelos nossos sentidos ou pelas nossas impressões. Quando a apreendemos pelos nossos sentidos, a matéria objectiva não é real ela não é verdadeira substância, ela é apenas imaginação. Quando pensamos compreender que a substância do nosso espírito, é tal , é um erro. Cada um é diferente. As formas e as cores são as mesmas, mas cada um as vê diferentemente através das suas ilusões : ilusão fisiológica e psicológica. Todos esses problemas da nossa vida quotidiana encontrarão uma solução com o tempo, ao fim de vinte ou trinta anos ; e no momento de entrar no nosso caixão, eles estarão de qualquer modo resolvidos. O tempo é a melhor solução para os problemas de dinheiro e de amor. Quando entrares no vosso caixão, mais ninguém vos amará, excepto talvez de um amor espiritual. Os problemas da vida são diferentes para cada um, e cada um tem necessidade de um meio diferente, para resolver os seus problemas. Temos pois necessidade de criar o nosso próprio método. Se imitarmos... enganamo-nos. É necessário criar por " si próprio ".
A sala de exercício onde se aprende a Arte do sabre, tem desde longa data a designação de :" lugar do despertar "(Dojo). A Arte do Sabre (Iai Do), não consiste absolutamente nada em perseguir um resultado exterior com um Sabre , mas sòmente, a realizar qualquer coisa dentro de si próprio. A descoberta, no mais profundo do Ser, da Essência sem fundo e sem forma, é resultante de uma meditação dirigida com método, segundo as vias próprias do Zen. Será este o ponto em que se começa a sentir a influência do Zen sobre a Arte do Sabre ? .
A Força e a Sabedoria
Como ser o mais forte? O mais potente? Como aclarar o nosso espírito, guiar a nossa conduta e tornarmo-nos sábios? Desde a Aurora da História, o ser humano manifestou o desejo de se ultrapassar em força e em sabedoria, aspirando a atingir a maior força e a mais elevada sabedoria. Mas, de que forma ou meio, poderemos tornarmo-nos fortes e sábios ao mesmo tempo? No Japão, as pessoas tentam atingir este objectivo através da prática do Budo, e pelo Zen. Este ensinamente tradicional tem-se mantido, ainda que o Budo Japonês actualmente tenda a ser dualista : aprender a tornarmo-nos fortes, em vez de nos tornarmos sábios. Forte e Sábio : o Zen ensina-nos estas duas vias... numa só. Como sabeis, as possibilidades do nosso corpo e do nosso espírito são limitadas, é esse o ponto da nossa condição. A nossa sabedoria também está limitada, pois somos apenas homens. O homem não pode pretender ter a força fisica do leão ; tão pouco pode pretender igualar a sabedoria de Deus. E porque não? Não haverá uma maneira ou Via que permita ao homem ultrapassar os limites da sua humanidade? E passar para além dessa fronteira? É para dar resposta a esta esperança fundamental que o Budo produziu o princípio do "wasa". Podemos definir o "wasa" como uma Arte, como uma espécie de super-técnica transmitida de Mestre a Discípulo, e que permitirá impor-se aos outros homens e elevar-se acima deles. O wasa do Budo Japonês remonta à época histórica dos samurai. É um poder para além da força própria do indivíduo. O Zen, criou uma super-técnica, que não sòmente dá a força física e mental, mas ainda abre a Via da Sabedoria, a Via de uma sabedoria similar aquela de Deus ou Buda. É o "zazen" , um treino que consiste em sentar-se numa posição tradicional, um treino a andar, a sentir-se de pé, a respirar correctamente, uma atitude mental, um estado de consciência " hishiryu ", uma educação profunda e original.
A Nobre Luta do Guerreiro
O Budo é a Via do guerreiro; agrupa o conjunto das Artes de Budo Japonês. O Budo aprofundou de maneira directa as relações existentes entre a éctica, a religião e a filosofia. A sua relação com o desporto é muito recente. Os textos antigos que lhe são consagrados dizem respeito essencialmente à cultura mental e à reflexão sobre a natureza do "Eu " : Quem sou Eu ? Em Japonês, Do significa a Via. Como praticar essa Via? Qual é o método para a obter? Não é sòmente a aprendizagem de uma técnica, um wasa e ainda menos uma competição desportiva. O Budo inclui Artes como o Kendo, o Judo, o Aikido, o Iaido, etc . No entanto,o kanji "BU ", significa igualmente parar, cessar a luta. Assim no Budo não se trata sòmente de enfrentar, mas também de encontrar a paz e a maestria de si próprio (auto-domínio). Porque o Do é a Via, o método, o ensinamento para compreender perfeitamente a natureza do seu próprio espírito e do seu " EU ". É a Via de Buda, o Butsu Do, que permite descobrir realmente a sua própria natureza original, de se despertar do sono do Ego adormecido (o nosso EU intrincado), e de atingir a mais alta e a mais elevada das personalidades. Na Ásia esta Via tornou-se a moral mais elevada e a essência de todas as religiões e de todas as filosofias. "O Ying e Yang " do Yi-King ou a "Existência é Nada " de Lao Tseu, encontram aí as suas raízes. Que quer isto dizer? Que se pode pôr de lado o seu corpo e o seu espírito pessoal : atingir o espírito absoluto, o Não-Ego. Harmonizar, fundir o Céu e a Terra: o espírito interior deixa passar os pensamentos e as emoções. É- se totalmente livre do meio ambiente. O egoismo é abandonado. Tal é a fonte das religiões e filosofias da Ásia. O Espírito e o Corpo, o interior e o exterior, a substância e os fenómenos: estes pares não são nem dualistas, nem opostos, mas formam uma unidade sem separação. Uma mudança, seja ela qual for, influencia sempre todas as acções, todas as relações entre todasas existências. A satisfação ou insatisfação de uma pessoa, influenciam todas as outras pessoas. As nossas acções pessoais e as dos outros estão em relação de "interdependência ". A vossa felicidade deve ser a minha felicidade,e se chorais, chorarei convosco.Quando estais triste, preciso ficar triste, e quando estais feliz devo tambem sê-lo . Tudo está ligado, tudo se osmose no Universo. Não se pode separar a Parte do Todo : a Interdependência rege a ordem Cósmica.Em cerca de cinco mil anos de história oriental, a maior parte dos sábios e filósofos concentraram-se sobre este espírito, sobre esta Via, e transmitiram-na. O " Shin Jin Mei " livro muito antigo, de origem chinesa, diz : " Shi Do Bu Nan " ... a Via mais elevada não é difícil, mas não deve haver escolha. Não deve haver nem gosto nem desgosto. O San Do Kai diz também : " Há separação como entre uma Montanha e um Rio.... se existirem desilusões.... ". O Zen significa o esforço do homem praticando a meditação, o zazen. O esforço para atingir o domínio dos pensamentos sem descriminação, a consciência para lá de todas as categorias, englobando todas as expressões da linguagem. Esta dimensão,pode ser atingida pela prática do Zazen e do Budo.
Os Sete Princípios
A fusão do Budismo e do Shintoismo permitiu a criação do Bushido, ou Via do Samurai. Pode-se resumir essa Via por sete pontos essenciais :
1 = Gi : a decisão justa em qualquer circunstância ; atitude justa, a verdade. 2 = Yu : a bravura próxima do heroísmo. 3 = Jin : o amor universal, a boa vontade em relação á humanidade. 4 = Rei : o comportamento justo que é um ponto fundamental. 5 = Makoto : a sinceridade total. 6 = Meikyo : a honra e a glória. 7 = Chugi : a devoção e a lealdade.
São estes os sete princípios do espírito do Bushido. BU = artes da guerra;SHI = o guerreiro;DO = a Via. A Via do Samurai é imperativa e absoluta. A prática vem do corpo através do inconsciente e isso é fundamental. Daí a importância dada à educação do comportamento justo. As influências entre o Bushido e o Budismo foram recíprocas. Mas o Budismo marcou o Bushido em cinco aspectos :
1 = O apaziguar dos sentimentos. 2 = A obediência tranquila face ao inevitável. 3 = A maestria de si próprio na presença de qualquer acontecimento. 4 = Uma intimidade maior com a ideia da morte do que com a ideia da vida. 5 = A pura pobreza.
Antes da segunda guerra Mundial, o Mestre de Zen Kodo Sawaki dava conferências aos maiores Mestres de Artes de Budo, às mais altas autoridades do Budo. No Ocidente confundimos Artes de Budo com Artes de Guerra ; mas em japonês é a Via. No Ocidente estas Artes Marciais tão em voga, tornaram-se um desporto, uma técnica sem o espírito da Via. Nas suas conferências, Kodo Sawaki dizia que o Zen e as Artes de Budo têem o mesmo gosto e são uma unidade. No Zen como nas Artes de Budo, o treino conta muito. Quanto tempo devemos treinar? Muitos perguntam: " Durante quantos anos devo treinar Zazen?” a resposta é: " Até à morte ". A resposta não agrada na maior parte dos casos. Os Ocidentais querem aprender ràpidamente, alguns mesmo, num só dia.... " Vim uma vez e compreendi ". Mas o Dojo não é como a Universidade. Também no Budo é necessário continuar até à morte.
As Três Etapas
Primeira etapa : um período de prática em que a vontade e a consciência são necessárias no início. No Budo, como no Zen, este período dura mais ou menos de três a cinco anos e antigamente mais de dez anos. Durante esses dez anos, era necessário continuar a prática do Zazen com a nossa vontade. Mas acontecia que entre os três e os cinco anos de verdadeira prática o Mestre concedia o Shiho (transmissão).Nessa época era necessário viver num templo e seguir alguns Seshin (períodos de vários dias ou até semanas). Hoje em dia, no Japão actual, o Shiho é apenas transmitido de pai para filho e é apenas uma espécie de formalidade. Por isso o verdadeiro Zazen diminuiu e já quase não existem verdadeiros Mestres no Japão. Antigamente era necessário passar pelo menos três anos nos Templos de Eiheiji e Sojiji, para que se pudesse receber a ordenação ( sacerdócio ). Hoje em dia basta um ano ou apenas três meses e até apenas um Seshin para ser ordenado Monge. Quem é Mestre na nossa época ? Esta questão é muito importante. Quem é o vosso Mestre? A maior parte dos monges japoneses responderão a esta questão:" É o meu pai ". De facto, apenas os discípulos de Mestres como Kodo Sawaki são verdadeiros Mestres ; pois seguem os ensinamentos dos seus Mestres durante dezenas e dezenas de anos. O Dojo do Mestre Kodo Sawaki não era como aquele de Eiheiji ; era sem formalismo. Kodo Sawaki dizia sempre : " o meu Dojo é um Dojo ambulante ". Ele ia de templo em templo, de escola a universidade, á fábrica e até às prisões. O seu ensino colava-se à vida. No Zen como no Budo, o primeiro período, Shojin, é portanto o período de treino pela vontade e o esforço consciente. A segunda etapa é aquela do tempo de concentração sem consciência depois do Shiho.O discípulo está em paz. Ele pode tornar-se realmente o assistente do Mestre. Posteriormente ele poderá tornar-se Mestre e por sua vez ensinar a outros. Durante o terceiro período, o espírito atinge a verdadeira liberdade. " Ao espírito livre, universo livre ". Após a morte do Mestre, tornamo-nos Mestres completos. Mas evidentemente, não se deve esperar nem desejar a morte do Mestre, pensando na nossa libertação. Estes três períodos são idênticos tanto no Zen como no Budo. .
A palavra Zen deriva do " sanscrito" = Dyana =, em chinês = Chan-na =, que significa meditação. Uma lenda diz, que Buda tenha transmitido as regras a Kasyapa, o seu discípulo favorito, enseguida, vinte sete Patriarcas continuaram o ensino até "Bodhidharma", que veio da India para a China (600) e foi o primeiro Patriarca Chan (O Zen em Chinês chamava-se Chan). Històricamente, o Zen foi introduzido no Japão no século XIII , em reacção contra diversas espécies de Budismo implantadas no Japão desde o século VI e que se tinham progressivamente degradado. O Zen é pois uma reacção integradora, contra as tentações de facilidade que poderiam conter a doctrina Amidista (Buda Amida). Na prática os efeitos da doctrina Zen, tiveram uma
influência considerável no Japão, pois a sua aparição
coincidiu com a instauração do feudalismo Japonês,
que data do fim do seculo XII
(é então que a classe dos guerreiros de profissão ,
é levada ao primeiro plano).
== O que é o Zen ==
Do Zen pode-se dizer, tudo o que não é : nem um sistema de ideias, nem metafísica, nem religião. Não se rodeia nem de dogmas, nem de crenças, nem de símbolos, nem de templos, nem de votos monásticos. Para o Zen, não há nada a procurar, nem nenhum mérito a adquirir. Não é uma Via, nem necessita de nenhuma Fé, não espera nenhum Salvador, nem promete Paraíso algum. Não propõe nenhuma escolha nem nenhuma aquisição. Para o Zen nada existe, não é questão de definir os objectos, nem espírito, nem Buda, nenhum ser, nem coisa alguma tem realidade fundamental. É por isso que um preceito bem conhecido, de Zen diz : " Mata o Buda ". O Zen é pois " uma pedra atirada no lago das aparências para fazer estilhaçar o Vazio de todas as coisas". Se bem que a essência do real, seja o objectivo final que o Zen procura, dado que este real é " o Sem Nome ", quer dizer da mesma Essência que o Absoluto inatingível e incomunicável, é esse Real que o Zen se propõe apreender, fora de todo o processo de razão analítica. É por isso que o Zen não explica nada. Definir uma Doctrina, seria encontrar-se prisioneiro dessa mesma doctrina, enquanto que o que " É " aparece como um relâmpago instantâneo e desaparece com igual rapidez. O Homem atento apercebe nesse momento uma compreensão ou iluminação passageira que se chama " Satori ". A ideia de Vazio pode ilustrar-se assim : " Se concebermos que a vida do homem se parece a uma corda com um nó, o Zen propõe ao homem, não de juntar novos nós, quer dizer de aumentar os seus laços de conhecimento ou de poderes diversos, mas pelo contrário desfazer todos os nós da corda , e de lhe restituir a forma direita e lisa, tal como era na sua origem ". É por isso que o " Vazio " Zen é o contrário de " Não Existente". O sentido de Budismo que o Zen dá ao homem, significa que tudo já existe em Nós e que é apenas suficiente afastar todas as causas que obscuressem o verdadeiro conhecimento, para reatar o contacto com esse conhecimento. Convém notar que um Físico, é capaz melhor que ninguém, de compreender este raciocínio. Em última análize, ele sabe que, de todas as maneiras nenhum homem poderá alguma vez reatar, apartir de uma molécula original a Ordem da Criação. Muito ao contrário, quanto mais o infinitamente pequeno, é explorado, mais campos de energia inumeráveis e sempre diferentes se abrem na sua frente. " Se bem que o
Universo, à imagem do Electrão, que o continua, não é
senão um campo de probabilidades" ( Louis de Broglie ).
Na ordem da vida corrente, a dificuldade é de aprender, a
não emoldurar ( restringir ) o que É : então o movimento
salta, a palavra pronuncia-se, a substância do Real
aparece. Na vida prática,os adeptos do Zen propõem
um método de meditação aparentemente absurda a que
eles chamam de " Koan ". O koan é uma formula que
fere as ideias recebidas e toda a nossa cultura profunda,
precisamente porque ela, tende a rejeitar todo o
julgamento intelectual e razoável.Por exemplo um monge
lança a seguinte pergunta : " Como pode a minha mão ,
ser como a mão do Buda ? " Resposta : " Tocando
harpa ao luar ". Ou ainda : " Como escapar á palavra
e ao silêncio, se eles pertencem os dois ao mundo do
relativo e do Absoluto ? " Resposta : " Penso nas
perdizes que brincam entre as flores perfumadas".
Em realidade, os monges célebres criaram, por estas respostas "desconcertantes" toda uma
literatura de " koan " que são sempre necessários
para meditar nos mosteiros.
== O poema de Zen mais antigo começa assim :
"A Via perfeita, é sem dificuldade, só que ela evita escolhas, só quando se cessa de amar e de odiar, é que tudo pode ser claramente compreendido. Uma ínfima diferença, é suficiente para separar o Céu e a Terra. Se quereis chegar a uma verdade clara, não vos preocupeis com o justo ou o não-justo ".
Born 28/1/48-V.R.de Santo António.Portugal
Basic school - Faro 54-58 High School - Faro - Lisboa 58-65.
Sorbonne University - Paris 65-70
World Karate Union-Paris, Grade of Internacional Instructor 65-70.
Comp.Karate Dep. of Universitée d´Orsay
Paris 68-70.
World Karate Union -Kobe-Japan 70-73.
Teacher of Físical Ed.and French in
Marist Brothers Inter.School
Suma-ku, Kobe - Japan 70-73.
Compet Karate Dep.of Kobe Police 71-72.
Compet.Karate Dep. of Gama Filho Univ.
Rio de Janeiro - Brazil 74.
Found.of: Ass. Karate do Paraná,
Coritiba - Brazil 74.
Found.of: Ass. UKA Faro 75.
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Nac.Fed.Karate-Portugal 93-95
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Budo start: 28/1/1953
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